Um dos marcos do século XX foi o avanço da tecnologia, ninguém pode negar o fato de estarmos vivendo uma das fases mais prestigiadas do novo mundo, celulares, computadores, tablets, microchips, e tantas invenções que vem fazendo a cabeça da humanidade, a proposta é clara, ninguém pode se dar ao luxo de perder qualquer momento, possível e impossível, para se degustar nos self-services virtuais que são colocados a mesa.
Porém, todavia, entretanto, algumas observações, devem ser pontuadas para análise de todos, até que ponto o virtual se torna físico, até que ponto o 😘 se torna um beijo, os abraços se tornam reais, as emoções são realmente apresentadas, uma vez que esses atores estão do outro lado, os pseudônimos se tornam pessoas ao se referirem agressivamente aos comentários expostos em vídeos, em sites em redes sociais, ocultando a verdadeira hipocrisia que nos cerca a cada dia, a curtida de cada dia nos dai hoje.
Como quando alguém vê um vídeo sobre alguma infração de trânsito, maus tratos com animais, tratamento indevido com idosos, coisa que realmente é degradante, porém alguns puritanos de plantão se põem a destilar o seu veneno como se fossem os defensores dos direitos da humanidade, e passam a defender como heróis as causas nobres, porém não com o real intuito de ajudar, mas de se promover em cima dos acontecimentos, e quando alguém posta um comentário pessoal na rede, o fatality vem, sempre haverá alguém que se sentirá no direito de ofender o outro, afinal, o que eu não vejo eu não sinto, e o famoso, eu não tô nem aí, afinal de contas, é só um comentário.
As teclas de digitações se tornaram amigas inseparáveis, pois é fácil falar em morte quando não se está do outro lado, comentários como: você é um idiota! entre outros, sejam racistas, de gênero, seja qual tipo for, fato é que a rede deu poderes místicos, a quem não consegue sair do CTRL+C / CLTRL+V, e nesse meio vemos uma guerra, e essa guerra é virtual, quem tem maior número de likes, quem posta mais selfies, quem tem o maior número de curtidas, aliens versus ... somos humanos, o sangue que jorra nais veias ainda é real, os robôs cibernéticos ainda não assumiram o papel central deste filme chamado vida, os atores ainda são reais, os sentimentos também, os abraços e aconchegos ainda são paupáveis, e o café ainda pode ser consumido quente, enquanto estamos nos afastando como humanos, humanos ser, sapiens, uma onda de marasmo coletivo de quem consegue ter um milhão de amigos na página, mais não tem ninguém pra ligar em uma noite de solidão, de quem todos os dias tem fotos de felicidade em mil lugares diferentes, e não consegue sair do sofá postando, de quem tem cem mil inscritos, mas não tem contato com um só deles, e exige uma aprovação a cada click postado, será que este ângulo está legal?
A virtualidade deu poderes fantásticos, postar foto dos filhos brincando com lama é um sucesso, como se a lama que fosse a vilã dessa história, meu filho se sujando, minha filha brincando na chuva, soberanamente nos tornamos a cada dia seres virtuais, suaves e passivos aos domínios científicos e abstratos da máquina, quem criou ela mesmo? Ou será que ela nos criou? No princípio ENIAC ( o primeiro computador ) criou os céus e a terra.
Supostamente alguns estão perguntando, quem é esse personagem que se apresenta tão na contramão da evolução, com esse discurso maluco 😜, esse personagem faz parte de uma rede, talvez eu seja um dos seus mil amigos virtuais em sua rede social, faço parte de um corpo, faço parte de uma vida, ei espere ai ...tenho que postar uma selfie!
Por Farley Muniz
Por Farley Muniz
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