Uma certa vez, um homem andava pelas cidades perguntando aos outros, vários questionamentos sobre todo o tipo de assunto, fato é que, ninguém conhecia esse indivíduo, e muitos o achavam estranho, pela sua forma de ser, sua forma de se vestir, em geral, de roupas rasgadas e sujas, e muitas pessoas ficavam com vergonha, até mesmo que os outros os vissem conversando com alguém de tamanha inferioridade.
Porém, o que surpreendia a todos, era o fato de que todas as perguntas que o homem fazia não podiam ser respondidas, elas pareciam não ter respostas, como um poço sem fim, parecia não ter fundo, pois ele desconstruía tudo aquilo que a pessoa acreditava que era a verdade, e muitos começaram a odiá-lo por isso, pois como alguém tão inferior, sem as condições financeiras próprias de um cidadão, poderia ser tão inteligente ao ponto de ter um conhecimento tão elevado.
Então, na calada da noite, algumas pessoas que se diziam sábias, se reuniram e se puseram a articular um plano, para desmascarar esse homem em praça pública, um belo dia enquanto o homem caminhava em direção a cidade, ele se viu cercado de muitas pessoas, algumas iradas, outras que chegaram apenas para ver o circo pegar fogo, mas todos esperando o desfecho daquilo que seria, o martírio vexatório daquele ser.
Eles então vendo-o chegar, começam a ofende-lo , com palavras de baixo calão, com uma ira completa a espera que alguém desfira sobre aquela figura um golpe mortal, que tire de circulação aquele que, colocou homens e mulheres que se diziam mestres do saber, em grande constrangimento e vexame.
O homem então se senta, olha para todos, e faz a seguinte colocação: estou aqui neste lugar a pouco tempo, e me disseram em um vilarejo próximo por onde passei anteriormente, que aqui eu encontraria as pessoas mais sábias dessas terras, as respostas a todas as minhas perguntas, me disseram que devido a minha aparência e condição, eu deveria ser mais culto e me vestir melhor, pois bem, estou aqui a muitos dias, e tenho procurado a cultura que tanto me requerem, e tento através de perguntas procurar o verdadeiro saber para que eu possa tentar chegar ao conhecimento da verdade, aqui pelo que estou vendo, estão reunidas pessoas com raiva, ira e ódio, mas não sei identificar o por que, se é da minha roupa, pois se for, não recebi de ninguém algo melhor para vestir, se é de trabalho, não recebi nenhuma oferta para trabalhar, apesar de ter procurado em vários lugares.
Continuou ele; agora me respondam a essa pergunta que farei , se me responderem da forma correta, prometo que vou embora e nunca mais volto a questionar quem quer que seja, nesse momento todos fitaram os olhos nele esperando a pergunta para assim poderem responder e ficar livres uma vez por todas daquele pobre coitado, então ele sorriu levemente e perguntou:
O que leva os homens a se degladiarem por cultura, a se sentirem superiores e a se matarem pela desigualdade, se no fim de todas as coisas, independente do saber, ou da condição, a morte é certa para todos, alguns mais velhos, outros mais jovens, talvez crianças, o que vocês esperam depois desse momento, em que todos estão aqui esperando nos seus pedestais a minha partida, seja morto, ou vivo, e segundo o vasto conhecimento de todos, a melhor forma de sentirem melhores, é impondo aos outros as suas verdades, fato é que aqui ninguém a conhece.
E antes que possam responder aquilo que foi respondido, parto daqui desse lugar em dúvida, quanto ao hoje, quanto ao amanhã, quanto ao amor, quanto ao perdão, não nesses dias e sentimentos em si que eu citei, mas por saber que o conhecimento que vos falta, está além daquilo que vocês acham que possuem.
Então o homem se levantou e partiu, as pessoas ficaram olhando umas para as outras sem reação, e se retiraram sem saber se realmente elas eram sábias, ou se sábio mesmo era aquele homem, que com poucas palavras fez com que tivessem receio de que tudo aquilo que ele falou fosse verdade, uma vez que ninguém conseguiu responder a uma pergunta que não foi feita.
Texto escrito por
Farley Muniz

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