segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
sábado, 2 de dezembro de 2017
Self-service virtual
Um dos marcos do século XX foi o avanço da tecnologia, ninguém pode negar o fato de estarmos vivendo uma das fases mais prestigiadas do novo mundo, celulares, computadores, tablets, microchips, e tantas invenções que vem fazendo a cabeça da humanidade, a proposta é clara, ninguém pode se dar ao luxo de perder qualquer momento, possível e impossível, para se degustar nos self-services virtuais que são colocados a mesa.
Porém, todavia, entretanto, algumas observações, devem ser pontuadas para análise de todos, até que ponto o virtual se torna físico, até que ponto o 😘 se torna um beijo, os abraços se tornam reais, as emoções são realmente apresentadas, uma vez que esses atores estão do outro lado, os pseudônimos se tornam pessoas ao se referirem agressivamente aos comentários expostos em vídeos, em sites em redes sociais, ocultando a verdadeira hipocrisia que nos cerca a cada dia, a curtida de cada dia nos dai hoje.
Como quando alguém vê um vídeo sobre alguma infração de trânsito, maus tratos com animais, tratamento indevido com idosos, coisa que realmente é degradante, porém alguns puritanos de plantão se põem a destilar o seu veneno como se fossem os defensores dos direitos da humanidade, e passam a defender como heróis as causas nobres, porém não com o real intuito de ajudar, mas de se promover em cima dos acontecimentos, e quando alguém posta um comentário pessoal na rede, o fatality vem, sempre haverá alguém que se sentirá no direito de ofender o outro, afinal, o que eu não vejo eu não sinto, e o famoso, eu não tô nem aí, afinal de contas, é só um comentário.
As teclas de digitações se tornaram amigas inseparáveis, pois é fácil falar em morte quando não se está do outro lado, comentários como: você é um idiota! entre outros, sejam racistas, de gênero, seja qual tipo for, fato é que a rede deu poderes místicos, a quem não consegue sair do CTRL+C / CLTRL+V, e nesse meio vemos uma guerra, e essa guerra é virtual, quem tem maior número de likes, quem posta mais selfies, quem tem o maior número de curtidas, aliens versus ... somos humanos, o sangue que jorra nais veias ainda é real, os robôs cibernéticos ainda não assumiram o papel central deste filme chamado vida, os atores ainda são reais, os sentimentos também, os abraços e aconchegos ainda são paupáveis, e o café ainda pode ser consumido quente, enquanto estamos nos afastando como humanos, humanos ser, sapiens, uma onda de marasmo coletivo de quem consegue ter um milhão de amigos na página, mais não tem ninguém pra ligar em uma noite de solidão, de quem todos os dias tem fotos de felicidade em mil lugares diferentes, e não consegue sair do sofá postando, de quem tem cem mil inscritos, mas não tem contato com um só deles, e exige uma aprovação a cada click postado, será que este ângulo está legal?
A virtualidade deu poderes fantásticos, postar foto dos filhos brincando com lama é um sucesso, como se a lama que fosse a vilã dessa história, meu filho se sujando, minha filha brincando na chuva, soberanamente nos tornamos a cada dia seres virtuais, suaves e passivos aos domínios científicos e abstratos da máquina, quem criou ela mesmo? Ou será que ela nos criou? No princípio ENIAC ( o primeiro computador ) criou os céus e a terra.
Supostamente alguns estão perguntando, quem é esse personagem que se apresenta tão na contramão da evolução, com esse discurso maluco 😜, esse personagem faz parte de uma rede, talvez eu seja um dos seus mil amigos virtuais em sua rede social, faço parte de um corpo, faço parte de uma vida, ei espere ai ...tenho que postar uma selfie!
Por Farley Muniz
Por Farley Muniz
A pergunta que não foi feita
Uma certa vez, um homem andava pelas cidades perguntando aos outros, vários questionamentos sobre todo o tipo de assunto, fato é que, ninguém conhecia esse indivíduo, e muitos o achavam estranho, pela sua forma de ser, sua forma de se vestir, em geral, de roupas rasgadas e sujas, e muitas pessoas ficavam com vergonha, até mesmo que os outros os vissem conversando com alguém de tamanha inferioridade.
Porém, o que surpreendia a todos, era o fato de que todas as perguntas que o homem fazia não podiam ser respondidas, elas pareciam não ter respostas, como um poço sem fim, parecia não ter fundo, pois ele desconstruía tudo aquilo que a pessoa acreditava que era a verdade, e muitos começaram a odiá-lo por isso, pois como alguém tão inferior, sem as condições financeiras próprias de um cidadão, poderia ser tão inteligente ao ponto de ter um conhecimento tão elevado.
Então, na calada da noite, algumas pessoas que se diziam sábias, se reuniram e se puseram a articular um plano, para desmascarar esse homem em praça pública, um belo dia enquanto o homem caminhava em direção a cidade, ele se viu cercado de muitas pessoas, algumas iradas, outras que chegaram apenas para ver o circo pegar fogo, mas todos esperando o desfecho daquilo que seria, o martírio vexatório daquele ser.
Eles então vendo-o chegar, começam a ofende-lo , com palavras de baixo calão, com uma ira completa a espera que alguém desfira sobre aquela figura um golpe mortal, que tire de circulação aquele que, colocou homens e mulheres que se diziam mestres do saber, em grande constrangimento e vexame.
O homem então se senta, olha para todos, e faz a seguinte colocação: estou aqui neste lugar a pouco tempo, e me disseram em um vilarejo próximo por onde passei anteriormente, que aqui eu encontraria as pessoas mais sábias dessas terras, as respostas a todas as minhas perguntas, me disseram que devido a minha aparência e condição, eu deveria ser mais culto e me vestir melhor, pois bem, estou aqui a muitos dias, e tenho procurado a cultura que tanto me requerem, e tento através de perguntas procurar o verdadeiro saber para que eu possa tentar chegar ao conhecimento da verdade, aqui pelo que estou vendo, estão reunidas pessoas com raiva, ira e ódio, mas não sei identificar o por que, se é da minha roupa, pois se for, não recebi de ninguém algo melhor para vestir, se é de trabalho, não recebi nenhuma oferta para trabalhar, apesar de ter procurado em vários lugares.
Continuou ele; agora me respondam a essa pergunta que farei , se me responderem da forma correta, prometo que vou embora e nunca mais volto a questionar quem quer que seja, nesse momento todos fitaram os olhos nele esperando a pergunta para assim poderem responder e ficar livres uma vez por todas daquele pobre coitado, então ele sorriu levemente e perguntou:
O que leva os homens a se degladiarem por cultura, a se sentirem superiores e a se matarem pela desigualdade, se no fim de todas as coisas, independente do saber, ou da condição, a morte é certa para todos, alguns mais velhos, outros mais jovens, talvez crianças, o que vocês esperam depois desse momento, em que todos estão aqui esperando nos seus pedestais a minha partida, seja morto, ou vivo, e segundo o vasto conhecimento de todos, a melhor forma de sentirem melhores, é impondo aos outros as suas verdades, fato é que aqui ninguém a conhece.
E antes que possam responder aquilo que foi respondido, parto daqui desse lugar em dúvida, quanto ao hoje, quanto ao amanhã, quanto ao amor, quanto ao perdão, não nesses dias e sentimentos em si que eu citei, mas por saber que o conhecimento que vos falta, está além daquilo que vocês acham que possuem.
Então o homem se levantou e partiu, as pessoas ficaram olhando umas para as outras sem reação, e se retiraram sem saber se realmente elas eram sábias, ou se sábio mesmo era aquele homem, que com poucas palavras fez com que tivessem receio de que tudo aquilo que ele falou fosse verdade, uma vez que ninguém conseguiu responder a uma pergunta que não foi feita.
Texto escrito por
Farley Muniz
Porém, o que surpreendia a todos, era o fato de que todas as perguntas que o homem fazia não podiam ser respondidas, elas pareciam não ter respostas, como um poço sem fim, parecia não ter fundo, pois ele desconstruía tudo aquilo que a pessoa acreditava que era a verdade, e muitos começaram a odiá-lo por isso, pois como alguém tão inferior, sem as condições financeiras próprias de um cidadão, poderia ser tão inteligente ao ponto de ter um conhecimento tão elevado.
Então, na calada da noite, algumas pessoas que se diziam sábias, se reuniram e se puseram a articular um plano, para desmascarar esse homem em praça pública, um belo dia enquanto o homem caminhava em direção a cidade, ele se viu cercado de muitas pessoas, algumas iradas, outras que chegaram apenas para ver o circo pegar fogo, mas todos esperando o desfecho daquilo que seria, o martírio vexatório daquele ser.
Eles então vendo-o chegar, começam a ofende-lo , com palavras de baixo calão, com uma ira completa a espera que alguém desfira sobre aquela figura um golpe mortal, que tire de circulação aquele que, colocou homens e mulheres que se diziam mestres do saber, em grande constrangimento e vexame.
O homem então se senta, olha para todos, e faz a seguinte colocação: estou aqui neste lugar a pouco tempo, e me disseram em um vilarejo próximo por onde passei anteriormente, que aqui eu encontraria as pessoas mais sábias dessas terras, as respostas a todas as minhas perguntas, me disseram que devido a minha aparência e condição, eu deveria ser mais culto e me vestir melhor, pois bem, estou aqui a muitos dias, e tenho procurado a cultura que tanto me requerem, e tento através de perguntas procurar o verdadeiro saber para que eu possa tentar chegar ao conhecimento da verdade, aqui pelo que estou vendo, estão reunidas pessoas com raiva, ira e ódio, mas não sei identificar o por que, se é da minha roupa, pois se for, não recebi de ninguém algo melhor para vestir, se é de trabalho, não recebi nenhuma oferta para trabalhar, apesar de ter procurado em vários lugares.
Continuou ele; agora me respondam a essa pergunta que farei , se me responderem da forma correta, prometo que vou embora e nunca mais volto a questionar quem quer que seja, nesse momento todos fitaram os olhos nele esperando a pergunta para assim poderem responder e ficar livres uma vez por todas daquele pobre coitado, então ele sorriu levemente e perguntou:
O que leva os homens a se degladiarem por cultura, a se sentirem superiores e a se matarem pela desigualdade, se no fim de todas as coisas, independente do saber, ou da condição, a morte é certa para todos, alguns mais velhos, outros mais jovens, talvez crianças, o que vocês esperam depois desse momento, em que todos estão aqui esperando nos seus pedestais a minha partida, seja morto, ou vivo, e segundo o vasto conhecimento de todos, a melhor forma de sentirem melhores, é impondo aos outros as suas verdades, fato é que aqui ninguém a conhece.
E antes que possam responder aquilo que foi respondido, parto daqui desse lugar em dúvida, quanto ao hoje, quanto ao amanhã, quanto ao amor, quanto ao perdão, não nesses dias e sentimentos em si que eu citei, mas por saber que o conhecimento que vos falta, está além daquilo que vocês acham que possuem.
Então o homem se levantou e partiu, as pessoas ficaram olhando umas para as outras sem reação, e se retiraram sem saber se realmente elas eram sábias, ou se sábio mesmo era aquele homem, que com poucas palavras fez com que tivessem receio de que tudo aquilo que ele falou fosse verdade, uma vez que ninguém conseguiu responder a uma pergunta que não foi feita.
Texto escrito por
Farley Muniz
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